Ficou ao tempo

Ficar “ao tempo” significa estar no lado de fora, deixando o tempo agir. E assim foi.

 

Mas que tempos são esses? Cada mudança de tempo representou uma obra diferente. E cada pintura foi realizada no intervalo exato daquele tempo.

 

Enquanto fez-se o sol, a pintura “Ao tempo de sol” foi criada. E lá, ela permaneceu. Externa. Captando os raios solares daquele dia e de todos os outros dias em que o sol se fez presente. Como se aquele tempo pertencesse à obra, e ela estivesse lá para captá-lo.

Outros tempos vieram: dia branco, nuvens preenchendo o céu, nascer do dia, última luz, noite... A obra da noite foi pintada e adormeceu à luz da lua. E dormiu repetidamente em todas as noites de grandes reflexos, fazendo parte daquele tempo.

Assim, a cada mudança, os quadros saíam aos seus respectivos tempos. Pegando sol, chuva, refletindo aspectos únicos e guardando a memória daqueles tempos.

 

Durante 6 meses, as obras ficaram ao tempo. A cada dia, uma nova anotação representava o quadro que estava fora, marcando a observação dos diversos tempos do período.

 

Cada obra possui uma contagem própria que registra o seu processo.