Passou o tempo

A instalação traz a inquietude do tempo que não volta e deixa marcas por onde passa.

 

Questionamentos e ansiedades de quem se perde nos próprios pensamentos e se afoga no passar cada vez mais veloz do tempo. Por que usamos nosso tempo tão mal, se sabemos disso? Por que iríamos desperdiçar nosso próprio tempo?

 

As palavras são versos misturados de poemas escritos no início da pandemia. Um tempo de pessoas perdidas. Perdidas em suas casas sem saber quanto tempo isso tudo levaria. Vivendo repetidos dias sem rumo.

 

O que cada um trazia consigo eram as marcas do passado. Do futuro nada mais sabíamos.

A instalação permite que se transite dentro dela. Repetições, painéis e vozes criam um ambiente sensorial trazendo uma aflição de quem se perde no próprio tempo. Uma passagem retratada com palavras escritas em máquina de escrever. Angústias que nos fazem refletir sobre como lidamos com nossos novos tempos.

 

Os materiais utilizados na instalação representam marcas de obras antigas. Plásticos que serviram de suporte a pinturas antigas em viagens e pisos de estúdios passados. Marcas de um tempo que passou e não volta. Mas cada marca traz a memória, boa ou ruim, de uma parte de nossa história. E todas fazem parte de nós.

 

Ainda que quiséssemos guardar somente nossas melhores lembranças, todas as marcas do tempo fazem parte de quem somos hoje. E o tempo que passou, não volta nunca mais.